Contra indicações da vacina contra a febre amarela na Praia Grande

Saiba quem não pode tomar a vacina da febre amarela
Nem todas as pessoas que vivem em área de risco podem tomar a vacina; médicos explicam as contraindicações

SAÚDE Gabriela Lisbôa, do R7 27/01/2018 – 22H29 (ATUALIZADO EM 29/01/2018 – 18H43)

A vacina é considerada segura, mas existem contraindicações

São Paulo e Rio de Janeiro pretendem vacinar mais de 20 milhões de pessoas contra a febre amarela até o mês que vem. Mas nem todas as pessoas podem tomar a vacina. Existem algumas contraindicações.

Três pessoas morreram este ano no estado de São Paulo, por causa de uma reação à vacina. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, outras seis mortes ainda estão em investigação. Essa reação à vacina é extremamente rara, mas pode variar desde dor de cabeça, febre e mal estar até o desenvolvimento da doença viscerotrópica aguda, que pode levar à hepatite, insuficiência renal e causar hemorragias. Isso acontece porque a vacina é feita com o próprio vírus da febre amarela, só que de forma atenuada, ou seja, um vírus mais fraco do que aquele encontrado no ambiente.

Mesmo assim, de acordo com especialistas, a vacina é considerada segura porque a chance de uma pessoa desenvolver uma reação é muito pequena. No caso da doença viscerotrópica, por exemplo, é de 0,4 para cada 100 mil doses aplicadas.

O médico infectologista Moacir Jucá explica que “a vacinação contra a febre amarela é a medida mais importante para prevenção e controle da doença. É uma vacina segura e altamente eficaz. Não é recomendada para pessoas que vivem fora das áreas de risco ou que não irão viajar pera essas áreas”.

Deve-se respeitar as contraindicações e sempre procurar assistência médica nos casos de dúvidas

Por causa deste risco pequeno a vacina não é indicada para todas as pessoas. Veja quem não pode tomar:

Crianças

A sociedade Brasileira de Pediatria divulgou uma cartilha com os cuidados que os pais devem tomar na hora de vacinar os filhos. De acordo com o documento, o uso de doses fracionadas da vacina de febre amarela pode ser feito em crianças a partir de 2 anos, desde que não apresentem condições clínicas especiais.

O pediatra Eduardo Troster explica que crianças acima de 9 meses já podem tomar a dose cheia da vacina, de 0,5ml. “Se ela tomar a dose cheia, vale para a vida toda, não precisa fazer reforço.”

Se a criança ainda não foi vacinada, ela não pode tomar a vacina da febre amarela junto com a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) nem com a tetra viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela). O intervalo mínimo deve ser de 30 dias entre as vacinas.

Crianças com menos de 9 meses não devem ser vacinadas contra a febre amarela.

Pacientes com doenças cardiovasculares

De acordo com o médico cardiologista Fábio Petri, quem tem algum tipo de doença cardiovascular precisa, antes de tomar a vacina, ter certeza de que o problema está controlado.

“Há algumas situações em que a vacina deve ser avaliada com cautela em pessoas cardiopatas. Pessoas com cardiopatias que não estejam totalmente controladas, é preferível primeiro controlar a doença para então fazer a vacina. Com a doença controlada pode realizar sem contraindicações”, explica.

Paciente com doenças renais

A Sociedade Brasileira de Nefrologia recomenda que a vacina contra febre amarela em pacientes portadores de doença renal crônica, incluindo pacientes em diálise, seja avaliada com cautela. Deve ser considerado o risco da área em que o paciente vive, ou para onde irá viajar, e a situação de imunodepressão em que se encontra.

Grávidas ou mulheres que estão amamentando

Mulheres grávidas só podem tomar a vacina depois de uma rigorosa avaliação médica. Isso porque o vírus que está na vacina pode atingir o feto.

De acordo com a médica ginecologista e obstetra Helena Cossich, o ideal é que grávidas não tomem a vacina, mesmo que morem em áreas de risco. Ela explica que “o ideal para essas pessoas, é usar roupas que protejam contra a picada de mosquitos e o uso do repelente. Especificamente para as grávidas, o ideal é o repelente Exposis ou qualquer outro de Icaridina”.

No caso das mulheres que estão amamentando, a médica explica que deve ser avaliado o risco-beneficio de acordo com o lugar onde mulher mora ou se ela terá de viajar. “Se for imprescindível a administração da vacina, o aleitamento deverá ser suspenso por 10 dias e o bebê deve receber aleitamento suplementar nesse período. É importante que a mulher continue ordenhando o leite para que a produção do mesmo não pare e ela volte a amamentar depois dos 10 dias pós-vacina”.

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Mulheres que desejam engravidar devem tomar a vacina antes de começar a tentar ou antes de fazer o procedimento de inseminação artificial.

Transplantados e doadores de sangue ou órgãos

Pacientes que passaram por algum tipo de transplante não devem tomar a vacina por uma questão de segurança. A vacina é feita com microorganismos vivos e pessoas transplantadas costumam ter o sistema imunológico não tão fortalecido. Por isso, podem apresentar maior risco ao desenvolvimento de doenças e efeitos colaterais.

O ideal é que a vacina seja feita antes do transplante.

Quem é doador de sangue deve tomar a vacina antes de fazer a doação. Quem já tomou a vacina, deve esperar quatro semanas para voltar a doar sangue.

Pessoas com mais de 60 anos

Pessoas que estão acima dos 60 anos costumam ter imunidade mais baixa. Como explica a médica pós-graduada em geriatria Thaís Bertholini, “os idosos apresentam um declínio da sua função imunológica que chamamos de imunosenescência e, por isso, ficam mais expostos aos efeitos colaterais da vacina”.

A médica sugere que seja levado em consideração a relação risco x benefício da vacinação e que seja feita uma avaliação individualizada por profissional capacitado. Esse médico vai fazer uma avaliação clínica e da capacidade funcional do paciente: “Devemos levar em consideração a presença de comorbidades, que são doenças que o paciente já tem ou teve, principalmente diabetes, doença pulmonar obstrutiva crônica, asma, cânceres, reumatismo, artrite e HIV/AIDS – que por si só já alteram a função imunológica”.

Pessoas com sistema imunológico deprimido

Não há risco na vacinação de pessoas saudáveis e com o sistema imunológico normal. Mas em pessoas com o sistema imunológico deprimido, como a vacina tem o vírus vivo atenuado, pode ocorrer efeitos colaterais graves. De acordo com o médico infectologista Moacir Jucá, “a vacina é contraindicada em pacientes com imunossupressão grave de qualquer natureza: imunodeficiência devido ao câncer ou ao tratamento, a quimioterapia, pacientes com infecção pelo HIV com a imunidade baixa, pacientes em uso de drogas que diminuem a imunidade, pacientes transplantados, pacientes com lúpus, gestantes. Também é contraindicada em quem tem alergia a ovo.”

Pacientes que fazem tratamento com corticoide

Os corticóides, também conhecidos como cortisona, cortisol ou corticoesteroides, são um tipo de medicamento feitos a partir de um hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais. Eles têm efeito anti-inflamatório e costumam ser usados no tratamento de problemas como asma, alergias, lúpus, reumatismo e artrite.

Esse tipo de tratamento pode alterar a função imunológica porque suprime a imunidade. Por isso estas pessoas podem ficar mais suscetíveis aos efeitos colaterais da vacina.

Pacientes com HIV

O paciente que tem o vírus HIV no organismo, mas tem a carga vital indetectável e a contagem de CD4 alta pode tomar a vacina, caso esteja sob risco de exposição. De acordo com a médica infectologista do Instituto da Criança, Heloísa Helena de Souza Marques, “se o paciente estiver com o CD4, que mede a imunidade celular, muito baixo, a recomendação é evitar lugares que sejam considerados de risco, que use repelente e roupas de manga comprida. Mas o mais importante é procurar um médico e fazer uma avaliação”.

Pessoas com alergia a ovo e gelatina bovina

Pessoas com alergia a ovo podem tomar a vacina contra a febre amarela se o histórico não for de reação grave. Nesse caso, o melhor é tomar a vacina junto com um médico e ficar em observação por 30 minutos.

Se existir um histórico de reação grave, o paciente deve fazer alguns testes cutâneos. Se o resultado for positivo, a indicação é se vacinar com a dose fracionada, na presença de um alergista.

Esses cuidados são necessários porque a vacina é cultivada em ovos embrionados de galinha. Quem explica é o médico alergista e imunologista Eduardo Longen: “Com isto a dose pode conter quantidades residuais de proteína ovoalbumina do ovo. Pacientes alérgicos a ovo podem apresentar reações desde leves urticárias na pele até anafilaxia, que é uma reação alérgica grave com risco à vida. O risco é pequeno com estudos mostrando 0,8 a 1,8 casos por 100.000 doses aplicadas, mas existe”.

No caso dos alergicos a gelatina bovina, Longen explica que essas pessoas “podem sofrer reações com vacinas fabricadas no Brasil pela BioManguinhos. Para estes, aqui no país existe a opção de realizar a vacina do laboratório fabricante Sanofi Pasteur”.

Fonte: NoticiaR7

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