Até São Pedro colaborou para o sucesso da 5ª Caminhada da Adoção

Mais de 700 pessoas participaram do evento promovido pelo Gaala
29/5/2017
 

O domingo amanheceu com o céu encoberto e chuva, mas São Pedro logo colaborou e dispersou as nuvens, afinal de contas, mais de 700 pessoas saíram às ruas para participar da 5ª Caminhada da Adoção de Praia Grande. Neste 28 de maio foi dia de mostrar a terceira forma de gerar filhos, o terceiro modo de gestação, pois além dos partos mais conhecidos como o parto normal e cesariano, existe também mais um: o parto do coração, aquele em que a gestação muitas vezes ultrapassa as 40 semanas, ou os noves meses, popularmente conhecido.

O evento, que é promovido pelo Grupo de Apoio à Adoção Laços de Amor (Gaala), com o apoio Secretaria de Promoção Social de Praia Grande (Sepros), começou tímido por conta do tempo, mas logo as pessoas foram chegando e dando forma para este acontecimento tão esperado. A caminhada carrega a bandeira de acabar com o preconceito e incentivar e explicar como funciona todo o processo de adoção, deixando sempre bem claro que adotar não é favor, mas sim um ato de amor.

A concentração começou na Praça Duque de Caxias, conhecida como Praça do Canhão, Bairro Canto do Forte, por volta das 8h30. Aos poucos, as famílias foram chegando e se preparando com camisetas (que foram trocadas por pacotes/latas de leite), bexigas e faixas, tudo isso com muito amor e animação.

Assim como todas as pessoas que abraçaram a causa e ali estavam, Priscila Justus e Rafaela Justos, as mamães dos pequenos Marília (7) e Luiz (4), falaram da importância deste evento e da felicidade de poder participar mais um ano com seus filhos. “É fundamental que as crianças saibam que são filhos gerados no coração e não na barriga, eles devem saber que foram escolhidos para serem nossos filhos e amados acima de qualquer coisa, e este evento apóia esta idéia”.

As mamães falam ainda que quando optaram pela adoção, logo foram procurar o Gaala e lá ampliaram a escolha por duas ou três crianças e da faixa etária, e por isso que elas acham que o processo de adoção ocorreu rápido, em apenas três meses. “Optamos pela adoção porque acreditávamos que de alguma forma nossos filhos já existiam, e fomos abençoadas com dois irmãos. Os nossos filhos ‘nasceram’ com 2 e 4 anos de idade. Optamos por deixar acontecer e nós sermos as escolhidas e foi assim que aconteceu quando conhecemos a Marília e o Luiz. No nosso caso, foi uma gestação de três meses, justamente por terem uma idade que costuma ficar fora do perfil escolhido”.

Quem também esteve prestigiando o evento, assim como nos anos anteriores, foi responsável pela Secretaria de Promoção Social (Sepros), Gisele Domingues. “É um momento de sensibilização da população, pois durante o evento muitas pessoas nos abordam querendo saber do que se trata e a gente explica que é um momento de conscientização que é um grupo de ajuda. E é sempre muito importante a nossa participação nessa caminhada, pois é um momento que podemos esclarecer as possibilidades de adoção”.

No meio de tantas histórias, conhecemos a da Kelly da Paixão, que após 3 anos na fila de espera consegui adotar a pequena Beatriz, e nela conseguiu forças para se recuperar de um tumor no cérebro. “Fiquei 2 anos e 3 meses na fila, quatros meses após ter minha filha em casa eu descobri que tinha um tumor no cérebro e fui operada rapidamente, me lembro perfeitamente que a primeira coisa que veio na cabeça foi ‘eu preciso me recuperar logo, pois minha filha precisa de mim’, mal eu sabia que a Beatriz que me daria forças e vontade para viver”, conta com os olhos cheios d’água.

Para Julia Leal, presidente do Gaala, apesar da adoção estar mais difundida e as pessoas adotarem mais, ainda é necessário quebrar a barreira da idade escolhida (normalmente entre 0 e 2 anos), ela reforça a importância da adoção tardia (de crianças mais velhas), pois elas representam a maior parcela das que esperam por uma nova família. “Adotar crianças menores é uma forma de suprir o desejo da maternidade. Às vezes você foca tanto em um bebê, mas pode se apaixonar ao ver uma criança mais velha”.

Julia conta ainda que o objetivo da caminhada é difundir o tema adoção como ato de amor e não de caridade, e que o objetivo principal é formação da família. “Nosso objetivo principal é a família, independente da forma como são constituída, o foco é retirar as crianças do abrigo e mostrar que não existe fábrica de crianças dentro de uma instituição, o que existe são crianças que estão ali e precisam serem olhadas por terem uma idade diferente e ter uma família. Nosso papel é preparar os pretendentes para a realidade da adoção em si, para a realidade da instituição”, conclui.

O Gaala tem reuniões mensais com o objetivo de compartilhar experiências e divulgar a adoção. A próxima reunião será realizada no dia 18 de junho, das 20 às 21h30, na Avenida Marechal Mallet, 392, Bairro Canto do Forte (Colégio COC Novomundo). Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 3016-6152. 


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