PORTO INSEGURO!

Localfrio.
Sangue quente.
Olhos ardentes.
Ouvidos insensíveis.
Falta o ar.
Sobram os culpados.
Um mundo cada vez mais torto.
Todos nós cada vez mais escravos do porto.

Cortina de fumaça.
Políticos em polvorosa.
Pelas ruas, o desespero.
E um insuportável cheiro.
De descaso.
De despreparo.
De indecência.
De podridão.

O céu se esconde.
Juntamente com os responsáveis.
Ninguém sabe o que fazer.
Ou ir para onde.
Vergonhosa infraestrutura.
Em desserviço de uma gente de vida dura.
A ciência novamente aviltada.
Uma vez mais, a nossa terra atacada.

Velhos problemas em novas fases.
O monstro de hoje é em forma de gases.
Seremos todos punidos.
Estamos todos esquecidos.
Manchetes alarmantes e sensacionalistas.
A desgraça diante das nossas vistas.
Como de costume, discursos vãos.
Repletos de veleidades e desprovidos de ação.

Ora do lado de cá. Ora do lado de lá.
Dói em Santos. Em Cubatão. Em Bertioga. Em Praia Grande. Em Mongaguá.
Dói em São Vicente. Em Itanhaém. Em Peruíbe. Dói em Guarujá.
Cada vez mais cinzento é o horizonte da Baixada Santista.
O maior porto da América Latina,
referência nacional e sustentáculo da região,
parece fadado à sua comum sina.
Arder na fogueira das vaidades causada pelas explosões de incompetência.

Local abandonado.
Sangue de barata.
Olhos chorosos.
Ouvidos moucos.
Falta respeito.
Nos sobra o pleito.
Que ao votarmos, o façamos por um mundo menos torto.
Para que todos nós usufruamos de um seguro porto. Poema Delegado Poeta

Dr. Paulo Della Rosa

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